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24 de março de 2016

OS ACRÉSCIMOS …

 

Neste meu relato, que eu não

seja falto de compreensão!

E nem me envolva em regalos

articulados em descompasso

com o que passou.

 

Já fui muitos.

Tantos, que perdi a conta.

Uma lista enorme.

Em nenhum deles me fixei.

 

Roupagem do tempo.

Um , dois , três…

Cada época traz

a sua fotografia.

E a configuração.

E até a rebeldia diante

de coisas vãs.

Ou, então, o consentimento,

sem passar pelo crivo

da boa razão.

 

Lembro-me das horas de

menino.

Bons tempos aqueles.

Frágil de maldades e de

melancolia eu era.

E também de juízo…

 

Cruzei com a adolescência.

Quantos sonhos não mastiguei?

Não houve sobremesa.

Alguns engoli a seco.

Mas nem tudo se perdeu na

idealização.

 

Depois, veio a idade madura.

O mundo havia emprestado

a sua sabedoria.

Aprendi a desviar de pedregulhos

e a não buscar intimidade

com fissuras que poderiam

transformar-se em abismos.  

As amizades movimentaram-se.

Algumas foram incorporadas, outras

afugentaram-se do círculo

hospedeiro.

Fazer o quê?

Seguir a cartilha da resignação.

Este é o conselho,  com o qual

me presenteio…

 

Não faço travessuras com

a experiência.

Reconheço os seus

ensinamentos, tanto quanto

o crente o faz diante dos

textos bíblicos.

Tenho também boas recordações.

Não estou aqui para infringir as

regras da verdade.

 

Faço a marcha com a

a convicção de não ter

manchado  as contas da

dignidade, tão enrolada

na carceragem do presente.

Mas , quando a minha hora

chegar, penso que os

meus ativos terão força

para emudecer as falhas do

passivo, emprestando

serenidade ao descanso

da nova e segura viagem.

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